27 novembro 2010

PÃO OURIÇO DE CASTANHA

Andei a magicar na confecção deste pão durante semanas. Era até para participar com ele no Desafio de São Martinho da Ana Maria, mas o tempo não estica! Efectivamente, às vezes, até parece que encolhe (irrrrra!) e vai dai, só agora apresento o Pão Ouriço de Castanha.

Confesso que parte da inspiração provém do
Pão de Castanha e Linhaça da amiga Borboleta e os picos de sementes de girassol vi-os pela primeira vez no Pão Cacto da Moira, que sempre quis reproduzir, porém contive-me na compra dos vasinhos de barro.
A farinha de castanha utilizada por mim é totalmente caseira. Consiste em castanhas piladas (ao ar e ao sol de Outono) permitindo assim um descascar muito fácil, uma vez que a castanha interior sofre um processo de secagem (ou desidratação), encolhendo de tamanho soltando-se da casca de fora. A pele interior é que não sai com a mesma facilidade mas se restar alguma pele também não é preocupante, tritura-se tudo em farinha integral de moagem grossa.
INGREDIENTES:
  • 1 copo (medida MFP) de leite de soja;
  • 1/2 copo de água;
  • 2 colheres (sopa) manteiga de soja;
  • 2 colheres (sopa) açúcar mascavado claro;
  • 1 cubo de fermento fresco;
  • 1 colher (café) sal fino;
  • 2 colheres (sopa) farinha de linhaça;
  • 1 colher (sobremesa) canela em pó;
  • 3 copos de farinha semi-integral trigo;
  • 1 copo de farinha de castanha pilada;
  • Óleo de girassol p/trabalhar a massa;
  • Sementes de girassol p/picos.
CONFECÇÃO:
Na cuba da máquina de fazer pão coloque o leite morno, água morna (aqueça junto), a manteiga à temperatura ambiente, o açúcar, o fermento esfarelado com os dedos, e os restantes ingredientes pela ordem enumerada, à excepção do óleo e das sementes de girassol.
Seleccione programa massas na MFP e aguarde.
Quando pronta, deite a massa levedada sobre uma bancada untada com óleo de girassol enquanto pré-aquece o forno vazio. Unte bem a massa no óleo, abra-a e separe em 3 partes. Forme 3 bolas. Coloque-as em fila numa forma de bolo inglês igualmente untada com óleo. Espete as sementes de girassol e leve ao forno a 100º até dobrar de tamanho.
Aumente temperatura para 180º e pulverize o forno com água para criar atmosfera húmida. Em principio demorará 30 minutos.
Espere que arrefeça para desenformar. É delicioso. Parece bolo!
NOTA:
A farinha de linhaça é obtida pela trituração de sementes de linhaça.
A farinha de castanha é obtida pela trituração de castanhas piladas.
A função da linhaça é proporcionar uma liga fôfa, conforme faz o ovo no brioche.

22 novembro 2010

COMIDA FRANKENSTEIN NA TEIA AMBIENTAL

Tenha MEEEEEEEEDO! Tenha muuuuuito MEDO, os monstros OGMs andam aí!!!

Essas criaturas genéticamente modificadas são os novos monstros verdes de todos os cientistas, Victor Frankensteins inconsequentes, inconscientes e muitas vezes horrorizadamente arrependidos pelo contributo que dão à ciência.

Quem os irá parar? Quantas bocas mais, irão eles alimentar com
milho insecticida, arroz dourado ou tomate de longa duração genética? Quantas doenças mais, irão ser motivadas pelos transgénicos, tais como, alergias, desequilibrios hormonais (tiroide) e cancro?

Não sabemos!! Andamos todos às escuras procurando a luz da solução e é por isso que neste dia mestre (22), de mês mestre (11), em ano 3 de criatividade, escrevo a proposito do tema polémico dos OGMs que até em Portugal já deu muito que falar (
ver neste link, filme e texto).

Precisamos agir!! Não como activistas que destroem campos mas impondo uma alteração nos hábitos de consumo. BIOLÓGICO é a solução(?). Diga não aos transgénicos, procure nas embalagens se os produtos que habitualmente compra contêm organismos genéticamente modificados. Torne-se um detective OGM pelo bem da sua familia, pois estes não são mais do que "sementes" para um sistema de controlo absoluto sobre as pessoas. Senão vejamos:

»»As sementes produzidas por plantações OGM não podem ser reutilizadas em sementeira do ano seguinte, têm se ser novamente compradas ao fornecedor (o maior de todos é a mundial MONSANTO CORPORATION);

»»Quem inventa a modificação genética de um produto pode registar a descoberta e patentear a fórmula, conferindo-lhe exclusividade. O passo seguinte é monopolizar o mercado de sementes, eliminando concorrência natural, como é evidente!;

»»Mesmo que o consumidor final evite comprar produtos que contêm OGMs, perdura um sector insuficientemente legislado onde é viável a introdução de OGMs através da cadeia alimentar animal, pois apesar dos esforços, a maioria dos Eurodeputados continuam a votar a favor! Resta saber "quais ovos, leite, carne, peixe de aquacultura, e seus derivados provêm desse tipo de cadeia alimentar";

»»De mãos dadas com a industria alimentar anda a industria farmaceutica, toda contentinha por a humanidade adoecer sistematicamente necessitando de medicamentos cada vez mais fortes para controlar os virús e as degenerações consequentes da evolução de sobrevivência bacterologica contra os herbicidas e insecticidas.

Bom, valha-nos apenas ter alguma (mas pouca) esperança nos produtos biológicos e numa alimentação vegetariana, necessáriamente caseira para estar plenamente informada do que comemos, se é que isso é possivel, pois a legislação contra OGMs também ainda não chegou à restauração, dai que podemos estar a comer soja transgénica sem saber!

INGREDIENTES:

  • 1 base de pizza biológica;
  • Polpa de tomate biológica;
  • 1 cebola pequena biológica;
  • Mortandela vegetal biológica*;
  • Queijo ralado biológico;
  • Rúcula selvagem biológica;
  • Morcela vegetal biológica*;
  • Azeite biológico;
  • Manjericão desidratado biológico.
CONFECÇÃO:

Estender a base de pizza. Untar com polpa de tomate. Dispor cebola fresca laminada muito fina. Ornamentar com tiras de mortandela vegetal. Espalhar um pouco de queijo ralado, por cima umas folhas de rúcula, rodelas de morcela de arroz vegetariana e mais queijo, fio de azeite e ervas (manjericão ou oregãos).

Levar a forno quente a 180º durante 40 minutos.

NOTAS *:

Mortandela vegetariana neste link
Morcela vegetariana neste link

VIDEO "O Mundo segundo a Monsanto" aqui.
Outras participações que vale a pena conferir:

19 novembro 2010

PUDIM-DOS-CÚS no Projecto Reciclar do D&T

Sempre adorei pudim de pão, no entanto nunca antes havia convencionado um.
Mas eis que dá-se inicio ao Projeto Reciclar na Cozinha do
Delicias & Talentos e vem-me à ideia esta sobremesa tradicional portuguesa. Inclusivamente porque na semana passada tive dias tão intensos de trabalho que compramos pão (de forma em fatias).
Quando isto acontece, comer pão NÃO caseiro (o que é raro), os cús de pão vão restando no saco plástico porque ninguém cá em casa gosta das pontas do pão-de-forma industrial. São achatadas, nada fofinhas e como ficam para último, ninguém lhes pega. Vão para os cães do meu sogro ou para o lixo :(
Desta vez não!! Ao ver 6 cús de pão, "multiculturais", reparei logo na potencialidade de inovar no
Desafio de Culinária Reciclada.
A importância de reciclar comida não está apenas no poupar dinheiro, está também no diminuir desperdício, reduzir o lixo que fazemos diariamente. Preocupa-me imenso o destino de tudo o que deito fora. Como é possível tratar todos os resíduos à velocidade que são criados pela humanidade!?
Por falar em desperdício recordei a
Petição lançada por António Costa Pereira levada à Assembleia da Republica, com o objetivo de alterar a lei portuguesa que proíbe a doação a instituições de caridade, das sobras de restaurantes, cantinas e afins.
Infelizmente a lei não foi alterada, mas foi possível dentro do espirito da lei, entender melhor as obrigatoriedades conseguindo-se reaproveitar as sobras desde que estas sejam transportadas, devidamente acondicionadas e em frio (arcas ou carrinhas frigorificas). Pelo que, daqui para a frente é possível pôr em marcha um movimento de solidariedade baseado na doação das empresas na área da restauração, às instituições de apoio à fome e à precariedade social.
Burocrático, mas possível !! E agora vamos ao pudim-dos-cús :))
INGREDIENTES:
2 cús de Brioche Francês;
2 cús de Pão alemão c/sementes;
2 cús de Pão Rústico Português;
1 punhado de uvas-passa;
6 ovos M;
500 ml de leite de soja;
1 colheres (sopa) rasa de manteiga de soja;
1 lata de leite condensado de soja (marca continente*);
5 bagas de cardamomo (usar as sementes interiores apenas);
Cascas de laranja;
Sumo de 1 laranja;
Caramelo;
Pau de canela reutilizado (de mexer café).

CONFECÇÃO:
Cortar os cús de pão em quadrados pequenos (de 2 cm). Demolhar as uvas-passa num pouco de leite. Aquecer o forno a 180º.
No copo da bimby vazio, colocar os ovos, o leite à temperatura ambiente, a manteiga e o leite condensado. Triturar 2 minutos, velocidade 3/4.
Juntar as sementes de cardamomo, as uvas-passas com o pouco leite que se havia retirado dos 500 ml, e o pão, triturar 2 minutos, velocidade 1/2, temperatura 40º.
Untar a forma com o caramelo liquido, deitar o preparado na forma e depositar cascas de laranja estrategicamente espaçadas. Levar ao forno a 150º em cima dum tabuleiro com 1 dedo de água, durante 40 minutos.
Deixar arrefecer, guardar no frigorifico durante pelo menos 2 horas antes de desenformar.
Para servir, rale um pau de canela reaproveitado por cima do pudim. Tenho o hábito de trazer para casa as canelas que os cafés dão para mexer o café, que lavo, deixo secar e reutilizo.
À parte faça um caramelo mais liquido com o sumo de 1 laranja inteira pois o pudim vai ter pouco caramelo ao desenformar.´
NOTA FINAL:
*Os supermercados Continente já têm à venda na areaviva (vegetariana), um leite condensado de soja delicioso e a preço acessivel. Contém óleo de palma que lhe confere um excelente sabor. Experimente esta alternativa.

18 novembro 2010

CENOURADA DE MARMELO

No seguimento das marmeladas bimbólicas, a original e a de maçã, apresento-vos hoje, uma de cenoura. Foto com má qualidade, é verdade, mas fui forçada a fotografar com a máquina de filmar da Carolina (um brinquedo), peço desculpa.

A cenourada de marmelo é deliciosa. A cenoura confere-lhe mais doce que a maçã e tendo como base 80% de fruta perante 20% de açúcar, tem toda a vantagem juntar cenourita :)

Até pode ser um aproveitamento de cenouras esquecidas no frigorifico!

INGREDIENTES:

900 gr de Marmelo Biológico (depois de retirar caroços fica em 780 gr +/-);
3 Cenouras médias Biológicas (com casca e sem pontas);
200 gr Açúcar Mascavado Claro

CONFECÇÃO:

Lavar muito bem os marmelos e as cenouras com um esfregão.
Retirar apenas os caroços e as pontas. Partir aos pedaços. Triturar grosso com casca na Bimby. 30 segundos, vel 9.
Programar 30 minutos, temperatura 100º, velocidade 3. Ajudar com a espátula da Bimby.
Ao fim deste tempo, retirar o copinho de cima, virar o cesto ao contrário sobre a tampa para evitar salpicos, programar mais 25 minutos, temperatura Varoma, velocidade 3.

13 novembro 2010

BLOGAGEM COLECTIVA CULINÁRIA RECICLADA

O DELICIAS E TALENTOS está de novo a DESAFIAR, para comida RECICLAR :))
Quem disse que as sobras não prestam?
Que só podem ser reaquecidas antes de esquecidas no frigorífico?
Ou que estão condenadas ao desperdício sem qualquer hipotese de criatividade?

A ideia é (re)criar um prato com o que sobra de outras refeições, já que estamos em crise e precisamos POUPAR para nossa carteira e ambiente AJUDAR.
Meninas e Meninos, toca a INVENTAR para as sobras REUTILIZAR !!!!

Para saberem mais sobre esta iniciativa conjunta de vários blogs, clickem no link:
DESAFIO DE CULINÁRIA RECICLADA .

Já em marcha desde dia 15 NOV, podem acompanhar as participações neste link.

02 novembro 2010

PÃO POR DEUS e Brioche de Abóbora

Ontem foi Dia de todos os Santos (e mártires), hoje é Dia de todas as almas (Finados). Neste dia celebra-se a vida eterna pois acredita-se que a alma não morre, simplesmente se liberta do corpo e da vida que anima a matéria.

É comum nestes dias e vésperas fazerem-se Vigílias pelas almas. Inclusivamente o 31 de Outubro é uma noite de Vigília. A palavra Halloween deriva da frase All Hallow´s Evening (a noite de todos os devotos).

Fazer uma Vigília pelas almas é permanecer acordado e não dormir. A intenção da Vigília é orar pelas almas que se encontram presas no limbo ou que estejam muito apegadas à matéria, insistindo em permanecer no mundo físico por assuntos pendentes, apesar de já não terem corpo.

O estado de vigília é o estar desperto, o estar consciente. O sono é o irmão da morte. Durante o sono, o corpo relaxa, recupera a energia vital, a mente funciona num estado subconsciente e a alma desprende-se.

A tradição do Pão-por-Deus nasceu da crença que durante a época, os familiares mortos regressavam para pedirem favores ou para se reconciliarem com os vivos por forma a descansarem suas almas penadas. A crença evoluiu para a tradição de fazer o bem aos pedintes vivos, especialmente às crianças como forma pessoal de resgatar os pecados desta vida, não os levando como karma na bagagem da alma.

Após algumas catástofres naturais, como por exemplo, o terramoto de Lisboa em 1755, o dar Pão-por-Deus foi uma forma de saciar a fome a muitas crianças que passavam necessidades por motivos de pobreza extrema.

As modernices é que estragam tudo e duma tradição solidária viu-se nascer mais um consumismo nada saudável de chocolates, rebuçados, bolos e etc... Por cá, quem bateu à minha porta levou uma fatia de brioche de abóbora com manteiga! (receita adaptada do blog: Os temperos da Argas )

INGREDIENTES:
70 gr manteiga de soja derretida;
210 gr puré de abóbora cozida;
1 ovo;
1 cubo de fermento fresco de padeiro;
3 colheres (sopa) leite de soja;
75 gr açúcar mascavado claro;
1 colher (café) sal fino;
Raspa de 1 laranja;
440 gr farinha trigo semi-integral T80 (ou outra);
Arandos picados;
Azeite q.b.;
Coco desidratado.

CONFECÇÃO:

Derreta a manteiga. Coloque-a na cuba da Máq de fazer pão.

A abóbora foi cozida sem água e sem sal, em lume brando e triturada com liquidificadora de mão.
Amornar o leite e desfazer o fermento fresco no liquido. Colocar na cuba da MFP.
Juntar o ovo à abóbora, bater com garfo. Adicionar o açúcar, sal e raspa da laranja, dissolver bem. Colocar na cuba da MFP.
Anexar por fim a farinha. Seleccionar programa massas. Após inicio do amassar e formação da bola de massa, juntar os arandos. Se necessário povilhar com farinha caso a bola esteja demasiadamente húmida.
Findo o programa, untar uma bancada com azeite, deitar a massa sobre a bancada e com as mãos untadas, formar 4 bolas. Untar uma forma de bolo inglês, dispor as bolas em linha dentro da forma e levar a forno quente a 100º. Passados 15 minutos, colocar topping de coco, borrifar atmosfera dentro do forno com água e aumentar temperatura para 150º. Mais 30 minutos e estará assado. Verificar interior do pão com um palito.